AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, AS RELAÇÕES FAMILIARES E A ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, AS RELAÇÕES FAMILIARES E A ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

Autora: Elizabete Ramalho Procópio. Doutoranda em Economia Doméstica, pela Universidade Federal de Viçosa; Mestre em educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora; possui Especialização em Docência do Ensino Superior, pela Faculdade de Ciências e Letras Santa Marcelina; Especialização em Psicopedagogia Institucional, pela Universidade Castelo Branco; e graduação em Pedagogia, pela Faculdade de Ciências e Letras de Cataguases – Grupo Unis; coordenou e lecionou no curso de pedagogia das Faculdades Integradas de Cataguases – Grupo Unis; atualmente é professora da Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade de Leopoldina; e secretária na E. E. Coronel Vieira. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1405194540904206

Há algum tempo a humanidade assiste à emergência de um espaço virtual, o cyberespaço (Levy 2009) no qual as pessoas se encontram e podem utilizar dele para se manifestar, debater, expor ideias ou mesmo socializar fotos, conquistas e decepções. Esse espaço foi criado pelo próprio homem e hoje tem servido para nos enveredarmos por diversos caminhos.

Verifica-se, pois, na contemporaneidade, a presença das tecnologias da informação e comunicação (TIC)1 , que são frutos da revolução informacional (CASTELLS, 1999) e que permitem a comunicação em rede na sociedade, transformando as relações entre as pessoas e, em consequência, também no interior da escola.  As tecnologias disponibilizam ao usuário amplo conjunto de opções/informações/conhecimentos/linguagens, em tempos velozes e com potencialidades incalculáveis. Além disso, elas disponibilizam a cada um que com elas se relacionamdiferentes possibilidades e ritmos de ação.

Em 2020, o mundo foi desafiado por um vírus pandêmico o COVID 19, que, segundo o Ministério da Saúde, causa severas infecções respiratórias, dificultando o controle das autoridades sanitárias e pressionando os sistemas de saúde (BRASIL, 2020).  Como consequência da pandemia, grande parte dos países seguiu as determinações da Organização Mundial da Saúde (OMS), priorizando o isolamento social como medida mitigatória da proliferação do vírus. As escolas, como espaços de aglomeração de pessoas, se enquadraram nas atividades que deveriam ser fechadas por parte das autoridades públicas, causando diversos impactos na vida de alunos, professores, gestores e pais.

No Brasil, diante desse cenário apesar das políticas de isolamento não se configurarem em uma política nacional, o fechamento das escolas também fez parte das medidas de contenção da pandemia no contexto nacional.

Nessa configuração, foram realçadas as desigualdades sociais existentes em nosso país, como pouca acessibilidade de muitos alunos ao mundo virtual, poucos celulares para serem utilizados pela família, ou a inexistência de computadores com boa conexão à internet, para participação nas aulas. Além desses fatores, pode-se destacar também as dificuldades financeiras, muitas vezes de alimentação, de moradia e de trabalho que afetam sobremaneira a nossa sociedade.

No momento atual de situação de pandemia, as famílias estão convivendo com as crianças e jovens em idade escolar, muitas vezes sem as condições necessárias para auxilia-los, denunciando uma realidade já conhecida pela escola. Muitas dessas famílias têm na unidade escolar um ponto de apoio seguro para que sua organização aconteça de forma satisfatória no que se refere a aprendizagem de crianças e jovens, na alimentação e proteção da infância.

Por outro lado, nota-se um outro fator na organização família/escola, nesse contexto, que talvez favoreça a futuras questões pedagógicas e que se referem à participação dos pais no dia a dia escolar dos filhos. Mesmo com todas as dificuldadesjá relacionadas, a família poderá estar mais perto, a partir das experiências vividas no momento atual, das ações direcionadas pelo professor, e talvez valorize o trabalho dele e da escola interagindo mais e se envolvendo nas atividades. Existem vivências e aprendizados que só acontecem no ambiente escolar e os professores são peças fundamentais na formação intelectual, ética e moral dos estudantes e futuros cidadãos.A sociedade precisa valorizar o seu trabalho e a família cada vez mais se tornar parceira nesse processo.

É preciso dar voz àqueles que estão na batalha da educação: Seminários, Congressos, Relatos de experiência, Encontros para debates são necessários num constante diálogo entre o mundo acadêmico e o dia a dia da escola, com verdade, com responsabilidade e com respeito pelo trabalho que é realizado na educação.

1.TIC significa Tecnologia de Informação e Comunicação, conjunto de tecnologias e métodos provenientes da Revolução Informacional, desencadeada entre os anos de 1970 a 1990. Dentre as tecnologias podemos destacar: câmera de vídeo, webcam, cd e dvd, pendrive, cartões de memória, telefone móvel, TV por assinatura, e-mail, internet, podcasting e o mobile. Disponível em http://www.infoescola.com/informatica/novas-tecnologias-em-informacao-e-comunicacao/ Acessado em 04/10/2010

REFERÊNCIAS:

BELLONI, Maria Luiza..  Infância, mídias e educação: revisitando o conceito de socialização. Revista Perspectiva. Florianópolis, v. 25, n. 1, 57-82, jan./jun. 2007

BRASIL, Ministério da saúde.  Coronavírus. O que você precisa saber. Brasília, 2020. Disponível em: https://coronavirus.saude.gov.br/. Acesso em outubro, 2020.

CASTELLS Manuel. A sociedade em rede. 6 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.