A importância da Literacia midiática

A importância da Literacia midiática

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Interações na ambiência digital bem como o uso de ferramentas advindas desse contexto, há muito, já não são uma novidade para crianças e jovens. Segundo informações disponibilizadas pela pesquisa de Mídia Dados de 2020, para 43,7% dos usuários conectados, a principal função da Internet é estudar qualquer assunto de qualquer lugar, sendo o smartphone o dispositivo mais usado para acessar conteúdos online entre jovens de 12 a 19 anos.

No entanto, consumir os produtos oferecidos pela mídia diariamente e até mesmo interagir a partir desses conteúdos não é sinônimo de possuir a capacidade de identificar as ideologias e discursos por trás dessas mensagens que atravessam nosso cotidiano. Logo, a literacia midiática, mostra-se relevante nesse cenário. De acordo com relatório europeu sobre o assunto, o conceito de Literacia (Literacy na língua Inglesa) esteve vinculado, por algum tempo, ao alfabeto ou código de linguagem. Ou seja, um termo que refere-se à leitura e escrita da mídia impressa. Porém, ele foi ampliado e passou a abranger habilidades relacionadas à busca, seleção e análise de informações, independentemente dos códigos ou técnicas envolvidas.

Chegamos, dessa forma, ao termo Literacia midiática (Media literacy na língua Inglesa), que descreve “as aptidões e competências necessárias para se desenvolver, com autonomia e consciência, no novo ambiente comunicativo — digital, global e multimídia — da sociedade”. Em suma, refere-se à capacidade de acessar, analisar e avaliar as mensagens que chegam até nós através de um pensamento crítico, resultando em um consumo sensato.

Pensar a Literacia midiática está relacionado com questões referentes ao empoderamento dos indivíduos, que passam a exercer sua cidadania e refletir sobre aquilo que consomem e produzem. Scolari (2018), ao abordar sobre o assunto, questiona se os jovens estão realmente encarando a mídia como uma ferramenta para participar e enriquecer debates na esfera pública. Ou seja, o autor aborda questões que discutem se saber usar as ferramentas garante que as pessoas saibam exatamente como usá-la de forma consciente, e evitar riscos, como a disseminação de fake news.

Em um contexto de múltiplas possibilidades, é imprescindível guiar crianças e jovens no caminho da leitura crítica de mídia e das responsabilidades imbricadas na disseminação de conteúdos nos meios de comunicação, reforçando, ainda, que a habilidade de produção não necessariamente está ligada à capacidade de compreensão de ideologias e valores dos veículos comunicacionais ou de mensagens nas redes.

Vanessa Martins é doutoranda em Comunicação pelo programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora e mestra em Comunicação pela mesma instituição de ensino. Possui MBA em Gestão da Comunicação em Mídia Digitais pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing e é graduada em Comunicação Social (habilitação Publicidade e Propaganda) e em Letras Português/Inglês.