SOMOS TODOS UM

SOMOS TODOS UM

Conexão com especialista #24

Ao longo do tempo, de uma forma ou de outra, diversos filósofos mencionaram, ensinaram ou nos deixaram subentendidas, ideias inerentes ao devido tratamento ético que deveríamos dar animais e, por conseguinte, à atenção ao vegetarianismo.  Linearmente, percebemos evolução conceitual e de praxe dos filósofos conforme suas épocas, o que nos faz perceber a compreensão do desenvolvimento e da evolução do pensamento ético com relação aos seres sencientes.

Observando os filósofos antigos considerados precursores das primeiras ideias que expressavam uma consideração, mesmo que supérflua pelos animais, percebemos a influência dos mesmos ao longo da história da filosofia em seus pares na posterioridade. Obras de filósofos contemporâneos, considerados apologistas da abolição dos meios de usurpação dos animais, “sedimentarama relevância dos animais enquanto seres sencientes. Temas como libertação animal, ética, alma, etc., ao longo da história da filosofia, inevitavelmente, confluíram para a questão do vegetarianismo.

Por razões óbvias, o vegetarianismo é indissociável da questão dos direitos dos animais. Logo, em última análise, nenhum filósofo realmente contemporâneo, poderá simplesmente ignorar tal questão. É sabido que inúmeros intelectuais, artistas, visionários, médicos, cientistas, literatos, etc., foram/são vegetarianos, influenciados notadamente pela evolução do tratamento ético dos animais ao longo da história do pensamento (ou seja, da Filosofia).

O tema do vegetarianismo se apresenta atual e necessário nesta sociedade capitalista, pois, historicamente, fontes dão conta de que o vegetarianismo foi a mais comum dieta da humanidade ao longo da história. Sendo assim, nada mais natural de que sua influência se faça sentir na filosofia, a ciência do desenvolvimento dos pensamentos. Intrinsecamente, a questão dos direitos dos animais e o devido tratamento ético dos mesmos parecem indissolúveis da dieta vegetariana, ou seja, é impensável (incoerente, do ponto de vista lógico) separarmos ambos os conceitos “ética filosófica” e “vegetarianismo”, que se nos apresenta como “territórios com divisões borradas”.

Sabemos que tem crescido o interesse da sociedade por temas como alimentação natural, tratamento ético com relação aos animais e meio ambiente. Tais assuntos, sãoindissociáveis. Só resolveremos o problema de desumanidade, desmatamento, aquecimento global, saúde, se colocarmos os direitos dos animais à vida, em pauta.Está cada vez mais claro que não podem ser solucionados sem a máxima do pensamento holístico: somos todos um.

 

Bibliografia:

DESCARTES, René. Discurso do Método. Trad. Paulo Neves. Porto Alegre: L & PM, 2009 (Coleção L&PM Pocket, vol.458).

FRANCIONE, Gary. Introdução aos Direitos Animais: seu filho ou seu cachorro? Tradução: Regina Rheda. Campinas-SP: Editora da Unicamp, 2013.

KANT. Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Outros Escritos. São Paulo: Martin Claret, 2002.

REGAN, Tom. Jaulas Vazias: encarando o desafio dos direitos animais. Tradução Regina Rheda. Porto Alegre: Lugano, 2006.

SINGER, Peter. Libertação Animal. Trad. Marly Winclere Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.

GLEISON JOSÉ OLIVEIRA DORNELLAS
Graduado em História pela FIC

Graduado em Filosofia pela Universidade de Franca – SP

Pós-graduado Docência do Ensino Superior