A importância da reabilitação pós-Covid

A importância da reabilitação pós-Covid

Conexão com especialista #21

Quando uma pessoa é contaminada pelo COVID-19 e começa a desenvolver os sintomas, essa pessoa trava uma guerra interna, onde o vírus começa a escravizar as células do corpo para se proliferar. Predominantemente atinge o sistema respiratório, porém é uma condição multissistêmica, onde desenvolve diversos sintomas além dos respiratórios.

Após o momento de alta, as pessoas que foram internadas sentem que venceu somente uma fase, pois percebe que seu corpo não é mais o mesmo, ela começa a sentir cansaço ao realizar atividades simples. Isso ocorre conforme o comprometimento causado pelo vírus e a internação, uma vez que existem pacientes desde os contaminados que ficaram assintomáticos e indivíduos sintomáticos que necessitaram de tratamento intensivo.

As consequências da internação podem ser ainda piores, uma vez que, o tempo que a pessoa ficou no leito somado à sedação, ao uso de medicamentos e intubação, contribui para a perda de massa muscular e descondicionamento físico. Esse somatório de quadros poderá apresentar no paciente dificuldade de se manter em pé, aumentando as chances do paciente ficar acamado e risco de quedas devido a fraqueza muscular e perda de equilíbrio, tudo isso contribui para uma má qualidade de vida.

As pessoas que tiveram comprometimentos leves também apresentam a síndrome pós-covid, podendo ser relatado dores musculoesqueléticas, parestesias (formigamento), cansaço físico, dentre outros sintomas.

Sendo assim, começa o processo de reabilitação pós-covid, onde o tratamento fisioterapêutico visa melhorar todos os sintomas apresentados pelo paciente. Começa-se por uma avaliação, onde o paciente conta todo o seu processo desde o contágio até o momento de alta, para que o profissional consiga compreender o quanto de alterações o paciente teve e depois faz uma avaliação física e funcional, para que seja traçada as condutas em cima dos achados e das queixas apresentadas. O tratamento é feito com parâmetros de segurança, onde é calculado a frequência cardíaca máxima do paciente, ou seja, o quanto o coração da pessoa pode bater por minuto durante um esforço físico máximo esperado dentro da sua idade; depois é feito o cálculo da frequência cardíaca de treino, para saber o quanto deve atingir durante o exercício para que seu corpo comece a se adaptar com a reabilitação e com isso diminuir a sensação de cansaço e fadiga ao realizar as atividades do dia-a-dia; é observado a saturação do paciente para saber se necessita de suporte de oxigênio durantes os exercícios; e é feito testes de pressão inspiratória e expiratória, para saber se  está dentro do esperado, caso não esteja, deve ser trabalhado os músculos que auxiliam na respiração de acordo com o déficit encontrado e a força muscular de forma clássica, a funcionalidade do paciente, dentre outras adversidades encontradas.

O processo de alta é feito em cima da reavaliação onde será observado se o paciente atingiu a melhora dentro do previsto e colhido na avaliação. Lembrando que cada pessoa tem a sua individualidade e pode apresentar outras condições associadas, por isso tanto a avaliação quanto o processo de alta deve ser de forma individual, além disso, deve envolver uma equipe multidisciplinar, uma vez que podem desenvolver também alterações cognitivas e psicológicas.

REFERÊNCIAS:

DAVIES, Robert, et al. The Stanford Hall consensus statement for postCOVID-19 rehabilitation. BJSM, 2020. Disponível: < https://bjsm.bmj.com/content/54/16/949 > Acesso: 28 de junho de 2021.

MAROTTA, A. DeMeco, et al. Rehabilitation of patientspost-COVID-19 infection:a literature review. Journal of International Medical Research, 2020. Disponível: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32840156/ > Acesso 28 de junho de 2021.