Tenho um filho Autista!

Tenho um filho Autista!

Conexão com especialista #04 – Ana Maria Paixão de Rezende

O nome técnico é Transtorno do Espectro do Autismo – TEA.

De acordo com Mello (2007), o autismo é um distúrbio do comportamento que consiste em uma tríade de dificuldades, são elas: dificuldade de comunicação, dificuldade de sociabilização e dificuldade no uso da imaginação. Porém, autismo não é uma doença e sim um conjunto de características, que marcam as diferenças entre os indivíduos.

Eles são diferentes entre si, não tendo como padronizar ou mesmo identificar em qualquer escala, os graus de autismo em um indivíduo, portanto enquanto uns conseguem até mesmo cursar uma faculdade, ou se especializar em uma profissão, outros ficam numa fase bem primária não conseguindo, apesar de todas as oportunidades, que lhes são oferecidas, nem mesmo aprender a ler ou escrever e quando adultos continuam dependentes de um cuidador.

De acordo com especialistas, como psiquiatras e neurologistas, que são aqueles, que irão diagnosticar e nos apresentar o laudo técnico, isso só ocorre através de relatos familiares e observações clínicas do comportamento dos indivíduos, pois não existem exames, que levam a conclusão desse diagnóstico. Os exames que são realizados ocorrem para que possam descartar ou não, possíveis doenças.

O desenvolvimento da criança até a idade adulta vai variar de acordo com a gravidade dos sintomas e da realização de trabalhos terapêuticos especializados e participação de familiares. Lembrando que é um tratamento muitas vezes caríssimo e exaustivo e que muitas famílias não têm condições de arcar com esses tratamentos. Então, é necessário buscar benefícios e políticas públicas junto aos governos federais, estaduais e municipais.

Quando estava grávida do meu querido filho Gabriel, eu o idealizava e criava planos mirabolantes (sou muito criativa) e de repente, quando ele nasce e começa a se desenvolver, descubro que teria que modificar esses planos, teria que viver um luto para dar espaço para um outro renascer.   Tenho um filho autista. Hoje, eu sei, recebi esse diagnóstico há uns doze anos atrás, só que ele tem 35 anos. Imaginem o que é falta de informação, dos próprios especialistas, porque sempre que me indicavam um, estava eu lá, contando a mesma história desde que ele nasceu. Tempo perdido? Não, porque devido às dificuldades dele, busquei recursos, mesmo não sabendo do que se tratava, porque não tinha diagnóstico, achava que era atraso psicomotor e apesar da ajuda recebida pela escola Florescer e pela sua professora Marlan Porfiro, que trabalhava como apoio (naquela época não tinha esse nome), conversamos e sentimos, que ele precisava de um trabalho mais especializado. Foi então, que mudamos para a cidade de Barbacena, onde ele freqüentou um projeto muito específico na APAE de Barbacena,chamado Glenn Doman da Filadélfia, estudou numa escola especial chamada Maria do Rosário e ainda durante algum tempo recebeu atendimentos com uma Terapeuta Ocupacional. Quando recebeu alta do projeto foi oportunizado a ele atendimentos com psicóloga e fonoaudióloga. Mas aos poucos foi se cansando de tudo e não aceita mais nenhum tipo de atendimento ou atividade. Sou imensamente cobrada por todos e até mesmo por mim mesma, porque mãe é assim, por mais que a gente faz, ainda achamos que estamos fazendo pouco.

O que senti e vivi durante todos esses anos? Momentos de extrema solidão, cansaço ao extremo, insegurança, dúvidas, diversos questionamentos sem respostas, mas venceu o amor sem limites pelo meu filho e que gerou essa força, coragem, fé e esperança para buscar sempre uma alternativa para dar a ele oportunidades e qualidade de vida.

Durante essa caminhada, Deus colocou na minha vida, além da minha família, muitos anjos, que me ajudaram nessa trajetória e em especial uma que há 26 anos se faz presente em nossas vidas, que é a Inezinha, aquela que cuida dele de uma forma responsável e amorosa.

Com todos esses recursos, tratamentos e oportunidades proporcionadas, ele se tornou um lindo rapaz, saudável, amado por toda a família e muitos amigos.

Não aprendeu a ler e nem escrever, rejeita muitas vezes a presença e o carinho de quem o ama devido às suas dificuldades de comunicação e interação social, mas o amamos e respeitamos as suas limitações.

O nosso maior desejo é que ele seja feliz do jeito que ele se sinta bem! Não almejamos mais do que isso!

Ana e o filho, Gabriel.

Ana Maria Paixão de Rezende; Pós-Graduada em Ensino Superior e Gestão Pública Municipal; e Licenciada em História, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cataguases. A autora possui experiência como Diretora Escolar, Secretária de Educação, Diretora da Câmara Municipal de Cataguases e atualmente atua como Diretora da Escola Iracema Menezes – Apae Cataguases.

Referências:

MELLO, A. M. S. R. Autismo: guia prático. 6. ed. São Paulo: AMA, 2007

Método Glenn Doman. Disponível em < https://www.desenvolve-t.com/m%C3%A9tado-glenn-doman> acesso em 31.03.2020